Resenha

Resenha: Presentes da Vida por Emily Giffin

· Por Isabelle Vitorino

Desde que esse livro chegou que eu estava tendo uma relação de amor e ódio com ele porque eu queria desesperadamente saber a versão da Darcy da história de Rachel e Dex (para ver a minha resenha do filme O Noivo da Minha Melhor Amiga clique aqui), mas eu não queria de forma alguma ter um contato prolongado com Darcy porque eu a achava a personificação do egocentrismo. Porém o que eu não sabia era que Emily Giffin é uma escritora que sabe lidar com as palavras como ninguém e que consegue despertar todos os sentimentos possíveis em um leitor num único livro.

Título: Presentes da Vida
Autor (a): Emily Giffin
Editora: Novo Conceito
Ano: 2012
Páginas: 384
Darcy Rhone sempre teve todos os homens aos seus pais. Tinha um emprego glamouroso, um seleto círculo de amizades um noivo perfeito, Dexter Thaler. No entanto, tudo mudou quando Darcy se envolveu com o melhor amigo de seu noivo... Seu noivado acabou e ela perdeu sua melhor amiga, Rachel. Incapaz de assumir suas responsabilidades e de enfrentar todo esse mal-estar, Darcy foge para Londres, para a casa de um amigo de infância, imaginando que poderia passar uma borracha em tudo isso. Mas, para seu desânimo, Londres se torna um mundo estranho, onde seus truques de sedução não mais funcionam e onde sua sorte parece ter se evaporado. Sem amigos nem família, Darcy precisa dar um novo rumo à sua vida e,  assim, começar uma linda trajetória rumo ao crescimento e ao amor.

Darcy é uma jovem mulher que vê seus cuidadosos planos desmoronados após um terrível baque que foi ser traída pela sua melhor amiga e ser trocada pelo seu noivo, agora, grávida de um homem desleixado com quem ela sonha em se casar por achar que ele poderia ordenar sua vida, ela não percebe que seu senso moral e crítico é totalmente invertido e que as coisas com as quais se importam não tem nenhum valor real. Fugindo para Londres, ela acredita que lá está a solução para os seus problemas, mas a vida glamourosa que ela acredita que vai viver não é nada comparado ao que realmente é, morando em um apertado apartamento com Ethan, seu amigo de infância, sua essência continua a mesma e tudo que ela fez é gastar sem se parar para pensar no seu futuro ou no futuro do bebê. Cansado de ver tudo aquilo, Ethan lhe diz tudo que ele pensa sobre ela e sua postura com relação a vida e as outras pessoas, surpresa por notar que tudo aquilo é verdade, ela se propõe a mudar e mostrar para seu amigo que ela é uma boa pessoa e que merece coisas boas da vida.

Sabe quando você se vê presa em uma história apesar de não estar suportando as atitudes do personagem principal? Pois bem, foi isso que aconteceu comigo. Já fazia algum tempo que uma história não fazia isso comigo, eu tinha a sensação de que era um confidente de Darcy, uma melhor amiga invisível que estava fazendo parte do dia a dia dela mesmo de longe. Foi difícil ler a primeira parte do livro porque eu não suportava os comentários maldosos, a futilidade e o egocentrismo dela, mas... eu também não suportava quando ela era machucada, quando as pessoas não faziam nenhum esforço por ela, quando as pessoas traziam à tona o pior dela, e foi assim por uma boa parte do livro, eu observando os seus erros e torcendo para que ela mudasse, para que ela melhorasse. Quando ela chegou à Londres eu fiquei eufórica, eu queria que alguma coisa acontecesse com ela e que a fizesse refletir, mas as coisas não foram fáceis pelo menos até o glorioso Ethan entrar em ação e fazê-la escutar tudo que ele pensava sobre a sua postura diante da vida, do mundo e das pessoas, confesso, que foi naquele momento que eu me tornei fã de carteirinha dele, principalmente por ele ter conseguido despertar nela o desejo de mudança, pode até parecer estranho, mas eu chorei quando ela fez uma lista das coisas que queria fazer para ser alguém melhor, assim como chorei quando ela leu a carta da Rachel. Foi, sem sombra de dúvidas, incrível vê-la crescer e se abrir para receber os presentes da vida.


Acredito que todos nós já pensamos que se alcançássemos tais objetivos tudo na nossa vida estarei perfeito, mas a vida não é um ciência exata, não é nada como 1+1=2. Pelo contrário, ela é feita de surpresas, de partes complicadas, de desilusões, mas principalmente, é feita da capacidade infinita de nos reintegrarmos e de mudarmos. E é justamente isso que Emily Giffin traz no seu livro, com uma escrita primorosa, ela compartilha conosco a “vida real” dos seus personagens de forma tão coesa que em nenhum momento você pensa “Uau, isso nunca aconteceria comigo ou com ninguém que eu conheça!”, mas sim, “Uau, isso já aconteceu com mais alguém além de mim?”... Posso dizer com total certeza: este é um livro que nos ensina muito e que vale à pena ser lido, relido e refletido.

– Não precisamos de documentos ou genética para sermos uma família. Nós já somos uma – disse Ethan. – Mas eu quero que seja oficial. Eu quero que seja para sempre.
Então, sempre pronto para registrar os nossos momentos especiais, ele estendeu as mãos e tirou a nossa foto de noivado. Eu sabia que o meu cabelo estava bagunçado pelo vento e que os nossos narizes estavam vermelhos por causa do frio, mas eu não me importava. Eu tinha aprendido a não dar tanta importância a essas coisas superficiais, a valorizar o conteúdo e não a forma. Eu sabia que todas vez que eu olhasse para aquela foto nossa em uma montanha na Escócia, eu não veria imperfeições e apenas me lembraria das palavras do Ethan: “Eu quero que seja oficial. Eu quero que seja para sempre”.

[...] Amor e amizade. São eles que nos fazem ser quem somos e podem nos mudar, se deixarmos. Pág. 382 e 383

Playlist:

Jamie Cullum – I'm All Over It
OneRepublic – Stop and Stare
The Fray – Say When

--- Isabelle Vitorino ---
Isabelle Vitorino — colaborador(a) deste blog

Comentários

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2 comentário(s)

Oi..

Gostei muito da sua resenha, estou louca para ler esse livro.. Estou acabando o livro o noivo da minha melhor amiga para poder iniciar esse livro.. Mas, sou diferente da maioria, pois, tenho simpatia pela Darcy e ódio pela Rachel.

Eu lia tanta coisa sobre a Darcy (não li O noivo da minha melhor amiga e nem vi o filme) que eu já não gostava dela antes mesmo de conhece-la. O resultado foi que comecei a ler Presentes da Vida e não consegui continuar... Ele ainda está na minha estante, esperando meu humor melhorar para tentar novamente e o motivo disso é o que gosto da Emily (amei os outros dois livros dela que li).

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